Da Águia Dourada à cabeça de Leão,
O vôo de Nickson na mente de Prem Narasimha

 

Breve histórico de sua jornada como facilitador do “Jogo da Vida”

Seus olhos castanhos escuros têm um brilho peculiar, como daquelas almas que sabem pela luz do destino se guiar. Desde cedo ouve o chamado do caminho. Com apenas seis anos de idade adentrou o universo religioso e, vestido com uma túnica cerimonial, vivenciou os ritos da liturgia cristã como coroinha.

Aos doze deu os primeiros passos nos “jogos da vida” quando conheceu o RPG (Role Playing Game), um jogo de interpretação de papéis onde as narrativas e escolhas de cada jogador determinam o rumo da imaginária aventura. Ainda nessa fase, atraído pelos mistérios dos ritos secretos, enfrentou o rompimento e o preconceito do círculo de católicos no qual se relacionava e entrou na Ordem De Molay, uma organização para jovens que atua como uma escola de formação de valores e líderes, onde foi sagrado Cavaleiro e como tal firmou-se no percurso do seu desenvolvimento.

Aos 18 anos saiu da casa de seus pais rumo ao Rio Grande do Sul em busca de sua independência. Enquanto pagava as contas trabalhando na área de vendas, participou da fundação do Centro Espírita Irmão Anderson, onde vivenciou a abertura do seu processo de mediunidade. Nesse espaço ministrou muitas palestras, chegando a presidir o Centro com apenas 21 anos. No ano seguinte retornou a sua cidade natal, Varginha, onde deu início as suas explorações sobre os mistérios da floresta, Xamanismo, liderando trabalhos dentro dessas tradições. A sede por uma visão mais ampla do caminho o levou ao estudo de diversas linhagens e religiões como Gnose, Budismo, Yoga e iniciações como Viver de Luz, processo de purificação que leva à experiência da possibilidade de viver nutrindo-se de prâna ou energia vital, sem a necessidade de alimentos.

Logo conheceu aquele que seria o seu primeiro mentor: o Dr. Hugo Augusto dos Reis, um professor universitário especializado em Psicologia Analítica Junguiana, através de quem recebeu orientações e motivação para se aprofundar no estudo da Psicologia. Dr. Hugo percebeu sua vocação como terapeuta e com ele estabeleceu uma parceria de trabalho que se estendeu por três anos. Com ele o professor compartilhava a sua experiência e estudos de casos, convivência que lhe serviu como um formação informal e estágio em Psicologia Analítica.

Foi assim que Nickson (Prem Narasimha) apaixonou-se pela Psicologia Junguiana e mais tarde pelo Pathwork (Trabalho do Caminho), método elaborado por Eva Pierrakos que trabalha com as causas do lado escuro da personalidade ou da sombra, segundo a visão de Carl Jung. Com o aprofundamento de suas pesquisas no campo da psicologia e a prática como facilitador de grupos de autoconhecimento com os clientes do Dr. Hugo, desenvolveu uma técnica onde aplicou o RPG como uma ferramenta do processo psicoterapêutico.

Eventos sincrônicos começavam a revelar o seu lugar no grande Jogo da Vida, um deles foi o encontro com o livro A águia e a Galinha, de Leonardo Boff, que apresenta uma metáfora da condição humana através da história de uma águia que por ter sido capturada e criada com outras galinhas, acreditava ser uma delas. O livro exprimia exatamente como ele se sentia naquele momento: uma águia cheia de talentos, inteligência e potenciais que ainda ciscava, acreditando ser uma Galinha, condicionado por crenças, medos e limitações inconscientes. Quando terminava a leitura do livro, recebeu uma ligação de uns amigos de Varginha que, muito emocionados, relatavam terem visto uma luz dourada no céu. Dois dias depois, ele vislumbrou no céu do sítio onde estava, em Guaratinguetá, uma luz dourada exatamente como a descrita pelos amigos. Essa série de acontecimentos lhe proporcionou um estado de consciência expandida. No dia seguinte a visão ele recebeu a inspiração do Hino da Águia Dourada, um alegre canto espiritual para ser usado em celebrações ao redor da fogueira. E, minutos depois, a mesma amiga que havia lhe emprestado o livro da Águia e a Galinha, ligou contando sobre a experiência que havia tido no dia anterior com o Maha Lilah, um milenar oráculo e jogo védico que unia espiritualidade e autoconhecimento, convidando-o para uma partida que aconteceria na semana seguinte.


A iniciação no Maha Lilah

Uma semana depois dessa preliminar teia de eventos, aconteceu a sua primeira sessão com o Maha Lilah, facilitada pelo casal Uan e Tamirá, precursores do jogo no Brasil, há mais de 30 anos:

“Quando vi o tabuleiro imediatamente senti uma relação visceral com o jogo. Trançados nele havia dez espadas e serpentes, símbolos que já traziam grande significado na minha jornada pessoal. Com maestria e boa dose de encantamento, música e conhecimento o casal abriu o jogo e conduziu a experiência. Lembro com muita clareza de ter tido a sensação de que havia uma consciência maior me acompanhando, mostrando cada cena. Já era o próprio Maha Lilah me guiando.

O jogo possui oito níveis, sendo os primeiros correspondentes aos setes chacras (centros psíquicos) e o oitavo relacionado ao plano divino em si. O tabuleiro tem 72 casas que representam diferentes aspectos da consciência e nele o jogo pode acontecer de diferentes formas. Neste dia foi por meio de uma única peça representando todo o grupo. O jogo parou nas matrizes do primeiro nível, do eu inferior. O número quatro que se repetia no dado, simbolizava segundo o facilitador, um estado de apego. Como um círculo vicioso a situação mostrava a energia que permeava o grupo:

Neste momento me conectei mais profundamente com essa consciência presente e estabeleci um diálogo: -Por que o jogo não está subindo? E a compreensão chegou. O impedimento vinha da avidez em chegar a casa da iluminação e do fato de que não estávamos fazendo o trabalho proposto pelas casas das matrizes inferiores como a avareza, ira, etc.  Era a dificuldade em encarar nossas fraquezas  e  limitações. Chegar a casa da iluminação era como confirmar para si mesmo a nossa perfeição. A outra pergunta que fiz foi: Porque a avidez em buscar o espelhamento dessa perfeição?

Foi aí que ele percebeu como método Pathwork poderia embasar sua interpretação do jogo e a resposta chegou: remetia a criança que cada um trás dentro de si buscando a perfeição que crê necessária para ser amada e aos mecanismos de defesa decorrentes deste processo que levam aos padrões viciosos: No exato momento desse insight o Uan jogou o dado para mim. Lembro da sensação do dado vindo na minha direção, havia um brilho. Junto veio a lembrança dos jogos de RPG na adolescência, quando meu personagem enfrentando o Dragão para sobreviver, deveria tirar o número vinte.. Recordo que chamava uma força e tirava o vinte e que isso instigava meus colegas.

Sua conexão mágica com os dados se repetiu quando o dado do Maha Lilah chegou pela primeira vez em suas mãos. Ele tirou o seis necessário para atravessar vários níveis até a ponta da espada que levava a um dos últimos quadrantes, a casa 69, que representa a sincronicidade – conceito desenvolvido por Jung que define os acontecimentos que se relacionam não por relação causal, mas por significado – e que havia sido tema de suas reflexões com o Dr.Hugo nesse mesmo dia.

Com o jogo já no plano celestial, o facilitador lhe deu direito a uma dádiva, abrindo um leque de cartas para que ele escolhesse uma. Seus olhos não podiam acreditar, a mensagem dizia: – Eu sou a Águia Dourada e em seguida, contava a história que ele havia lido dias atrás! Foi o momento de pegar o violão e apresentar o Hino  Águia Dourada.

Outras sincronicidades incríveis com o símbolo da águia dourada apareceram em seu caminho. Era a própria vida lhe chamando para o jogo. Como a águia que recordava da sua verdadeira identidade ele começava a perceber os símbolos em seu caminho e a movimentar suas asas para o voo.

Fascinado pelo oráculo védico e com a possibilidade de utilizá-lo junto com as ferramentas que já possuía, integrando espiritualidade e autoconhecimento ao lúdico, procurou saber como poderia obter tal formação. O casal que havia recebido o jogo de um sadhu na Índia esperava a chegada da pessoa certa para transmiti-lo.

Poucos tempo depois, Prem Narasimha iniciou seu treinamento, acompanhando algumas partidas lideradas pelo experiente casal e mergulhando nos estudos, baseado nos ensinamentos de Harish Johari, um iogue professor indiano que havia pesquisado sobre o assunto por toda Índia e que é considerado o responsável pela versão mais contemporânea do jogo. Enquanto pesquisava sobre MahaLilah, aprofundou-se no método Pathwork: Com esse estudo poderia oferecer um trabalho mais concreto em relação as matrizes do eu inferior presentes no jogo, esclarecer como se estruturam as máscaras, auxiliar na remoção dos obstáculos e orientar em como percorrer esse caminho.


O encontro com o Mestre

Quando estava recém saído do processo de 21 dias sem comer, do qual teve experiências místicas profundas e ainda comovido com a leitura da obra: Tantra, a suprema compreensão, de Osho, indagava-se sobre a necessidade de encontrar um mestre vivo para progredir no caminho espiritual.

Em 2010 lá estava ele diante de Sri Prem Baba, um mestre brasileiro, psicólogo de formação, que havia passado por um caminho parecido ao dele: Catolicismo, Rosa Cruz, Espiritismo, Gnose, Xamanismo, Yoga e que também usava o Pathwork como um dos pilares do seu trabalho.

O MahaLilah trouxe muita beleza para minha vida. Sincronicidade e amparo. A certeza de estar sendo guiado. Foram tantas histórias. Descobri que a sincronicidade é uma mestra, tanto que me considero um devoto do jogo e dela. Se você permite que ela te guie e recebe o que ela tem, ela se apresentará de forma contundente em sua vida, iluminando o caminho.

Prem Narasimha trabalhou na integração dos ensinamentos do Prem Baba, com o Pathwork e o jogo e, com apoio de seu mestre, deu início a um processo profundo de alinhamento com a pureza de sua essência, preparando-se para assumir seu trabalho como o verdadeiro propósito da sua vida: Ainda me sinto nessa purificação para que o trabalho esteja mesmo a serviço do Divino, do Amor.

No decorrer de seis anos de desenvolvimento com o MahaLilah, investiu em formações complementares como: contador de Histórias, Teatroterapeuta e o Jogo do Herói, inspirados nas pesquisas de Joseph Campell, dando mais consistência para o seu trabalho usando jogos lúdicos como ferramenta de transformação.


Lançando os dados no tabuleiro da vida

Foi considerado com um alto Qi (149) ao se candidatar para uma vaga de Gestor de Projetos de uma grande rede de franquias da área da educação do método Supera, embasado na Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner. Conceito de neuro educação que lhe chamou atenção por trabalhar com a estimulação cognitiva através de jogos. Responsável pelo gerenciamento de projetos em escolas públicas e particulares, durante quatro anos fez diversas apresentações, ministrando palestras, treinamentos e workshops em todo o Brasil.

Em 2016, aos 33 anos, realizou seu grande sonho de ir à Índia, onde Prem Baba tem um Ashram. Nessa viagem recebeu o nome espiritual Prem Narasimha: Nara (Homem), Simha (Leão), Prem (Amor). Narasimha é a quarta encarnação de Vishnu e representa proteção no enfrentamento dos aspectos de nossas sombras, um dos principais conceitos de Jung. Outro detalhe: o veículo de Narasimha é Garuda, uma Águia Dourada.


NarasimhaAbençoado por Baba Prem Narasimha lança seus dados no tabuleiro da vida com uma consistente temporada de trabalhos, trazendo para o público buscador de autoconhecimento O Jogo da Vida, método desenvolvido por ele após anos de estudos e aprimoramentos, que integra seus conhecimentos de psicologia com o MahaLilah, a Jornada do Herói e técnicas de Teatroterapia.

Com maestria Narasimha percebe o campo das sincronicidades, fazendo leituras reveladoras dos sinais, símbolos e arquétipos que surgem durante a jornada do jogo do tabuleiro e da vida, facilitando para cada participante com arte e diversão a emocionante aventura da transformação.

Como uma águia de coração e asas abertas, agora ele inspira outros voos, acima das limitações, na direção de um caminho pleno de significados e religado ao real propósito desse grande e divino Jogo da Vida.

Redação:
Patricia Schleumer Cristal – Jornalista, geradora de conteúdos
Contato: pazdecristal@gmail.com

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